Calma, Filipe. Deixa-me dar-te um copo de água fresca e abanar-te com um leque. Que me lembre todo o político vem dizendo essa enormidade há décadas e alguns lá foram, com os seus milhões por fora ou para Cabo Verde ou para Paris ou para o Limoeiro, como é o caso do triste Duarte Lima. Calma, meu amigo. Temos de estar unidos, Esquerda-Centro-Direita.
Dizem que as eleições na Madeira seguem dentro da normalidade. É, portanto, de se esperar o pior: 250 mil vítimas e beneficiários do espírito 'pluralista' e 'democrático' de João Jardim, fazendo, como bons autómatos, o que sempre fizeram. Votar segundo a velha cartilha do velho e vergonhoso caciquismo que não olha a meios nem tem um módico de vergonha na cara: do ut des. Entre ele e Fidel ou Kim-il-Xunga não há quaisquer diferenças — a mesma farronca e a mesma patorra informe de exclusividade dinástica ou pseudo-eleitoral.
Quanto a mim, o Governo Passos Coelho goza de pleno estado de graça. Ainda que gente sem coluna vertebral ensaie ataques gratuitos, invente waterpittas artificiais, eu tenho bons motivos para, em liberdade, defender este Executivo. Enquanto não vir vaidade, insensibilidade, facciosismo, propagandismo insidioso e falso, enquanto vislumbrar um esforço por verdade e por medidas equilibradas no lado da receita e no lado da despesa a fim de cumprir em pleno a palavra dada à Troyka por PS/PSD/PP e assim, no mínimo, escapar ao ferrete que hoje caustica a Grécia, olharei para este Governo PSD/PP como um Governo sério, competente e sábio, apesar da perplexidade que me causam medidas a prometer mais paralisia económica e emigração massiva do que qualquer coisa de promissor e repleto de desígnio. Dispensa-se é que Passos Coelho diga coisas gratuitas e voluntaristas que a fraude ambulante socratina também dizia quando quanto dissesse soava somente a falso e a obstinação gratuita, comprovadamente maligna e incompetente. Praticar o diálogo é bem melhor que pregar a prática do diálogo [depois traída e escarrada], coisa em que o inferno socratista se esmerava.
Quem lê Pitta, Câncio e a demais pequena, média ou grande fauna protozoária socialista, percebe a desonestidade desmemoriada com que fustigam hoje as contingências da governação. Mas se existe um problema de ênfase no documento gaspariano, corrija-se. Faça-se clara a disposição de este Governo para sanear a despesa amiguista incrustada no aparelho de estado. O pessoal opinador velho avençado do socratismo espumará de raiva, faça-se o que se fizer. Mas há vacina para essa infecção do olhar e do sentido de Estado. Reside num sereno contraditório e numa clareza à prova de lugares-comuns: «Exibir os "cortes" na saúde, na educação, no ensino superior ou na segurança social a frio, sem serem sinalizados claramente por outras ponderações (elas estão no documento mas não são tão "evidentes") no que respeita a fundações e institutos públicos (salvo no desporto e juventude), empresas públicas (para o sector empresarial local já existe uma reforma em curso, tal como para a RTP, e vão ser extintas a Parque Expo e a FrenteTejo) e, sobretudo (sublinho o sobretudo), parcerias público-privadas, gerou um expectável desconforto na opinião pública, mesmo na afecta aos partidos que suportam a maioria governamental, independentemente do compromisso com a União Europeia e o FMI.» JG
Sempre tive relutância em experimentar-me ou arriscar-me blogger em plataformas nacionais. Sabe-se lá. Não temos razões para confiar em quem nos exige confiança e, de repente, mostra que a casa comum pode bem vir abaixo por pura negligência e má governança. Tenho tido cautela. Vivendo ou escrevendo, é por uma pura fome de afecto, um estranho desejo de amor insaciável, que vou soltando o réptil demolidor guardado dentro ou permito triunfe pela maioria o mamífero em mim. O mamífero em mim vive numa refrega infinita por calor e por paz. Farei por aqui parte do caminho das minhas palavras como pátria minha, meu pão, leito amatório, delícia minha, meu deleite.
Ontem Louçã tirou a barriga de misérias no debate com o Primadonna. Ficou demonstrado que Sócrates e Governo mentiam a respeito da Segurança Social, ocultando a dimensão do compromisso assumido no Memorando. Afinal está assinada com a troyka uma grande redução na Taxa Social Única, quando, por estes dias, reduzir a TSU parecera crime e preocupação exclusiva do PSD. Louçã não puxou de uma pasta vazia. Provar que Sócrates mente é demasiado fácil, bastou uma carta. Depois, na SICN, Maria João Avillez, Sarsfield Cabral e Ricardo Costa, afirmaram o que toda a gente viu. Louçã ganhou. O presidiário adiado exaure a paciência do eleitorado só com existir e bendito seja Portugal se vier a punir a obra maléfica socratesca bem abaixo dos vinte %.
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